O ESPÍRITO QUE O MUNDO NÃO CONHECE / PARTE 3 Jun 18, 2010
Seção: Últimos Acontecimentos da Nossa Fé

Pastor Ronaldo Didini

CAPÍTULO III: O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.

Gálatas 5.22

Dicionário Bíblico
  • Apocalipse: Último livro no Novo testamento. Enquanto Gênesis é o livro das origens, Apocalipse é o livro das consumações.
  • Cristo: gr. Ungido, heb. Messias. Leia: Mt.16:16e20; Lc.3:15; 1Jo.5:1; Veja também: Jesus, Messias.
  • Davi: heb. Amado. O segundo e o mais ilustre dos reis de Israel, conhecido como o homem segundo o coração de Deus, At.13:22; O caçula, dos oito filhos de Jessê, o belemita, 1Sm.16:1; Não se menciona o nome de sua mãe. Sua genealogia, Rt.4:18-22; 1Cr.2
  • Deus: 1) Ser existente por sí mesmo, infinito, supremo, criador e conservador do universo. ATRIBUTOS DE DEUS: Eterno, Gn.21:33; Êx.3:15; Dt.32:40; Sl.90:2; etc Fogo consumidor, Hb.12:29;
  • Esdras: heb. Auxílio. Sacerdote escriba e escritor do livro de seu nome. Era um dos cativos de Babilônia, onde provavelmente nasceu. Ardente em seu zelo, Ed.7:10; Ed.8:21-23; Ajuntou uma companhia de 1800 homens israelitas, com o apoio de Artaxerxes, rei
  • Igreja: A comunidade, nas escrituras, que reconhece o Senhor Jesus Cristo como Supremo Legislador. Conjunto dos fiéis ligados pela mesma fé, e sujeitos aos mesmos chefes espirituais.
  • Ira: heb. Vigilante.
  • Israel: heb. Que luta com Deus. 1 - O nome dado a Jacó, depois de ter lutado com Deus, Gn.32:28; Gn.35:10; Os.12:3; 2 - Todos os descendentes de Jacó, Gn.34:7; Dt.4:1;
  • Jesus: Forma grega do nome hebraico Josué. significa: Salvador. gr. Salvador, hb. Josué: 1) Jesus, um companheiro de Paulo apelidado Justo, Cl.4:11. 2) Jesus Cristo. E tanto o centro da história do mundo como da história e da doutrina da Bíblia.
  • Mateus: heb. Dom de Deus - Lucas 2.35; Mateus 9.9
  • Neemias: heb. Jeová conforta - Esdras 2.2; Neemias 3.16;
  • Paulo: heb. Pequeno - Atos 13.7; 23.16
  • Pedro: grego. Pedra ou rocha - João 21.15, aramaico: Cefas - Mateus 10.2
  • Roma: latim: força - Atos 28.17
  • Salmo: grego: salmos - Salmos 95.2; 105.2; Efésios 5.19; Colossenses 3.16
  • Tito: latim: louvável - Tito 1.4
INTRODUÇÃO

Se a vida fosse sempre um mar de rosas, as pessoas sempre amáveis e gentis e se nunca enfrentássemos os mais variados tipos de problemas, talvez o fruto do Espírito nem aparecesse. Mas a vida não é assim, pois exatamente no meio das dificuldades e dos sofrimentos é que mais precisamos do fruto do Espírito. Nessas ocasiões, Deus atuará em nós para levarmos outras pessoas a Cristo. Quando temos em nós o fruto do Espírito, outros verão em nós “a imagem do Filho” e serão atraídos para o Salvador.
Ler Romanos 8.28,29.

Não é por acaso que a Escritura chama a Terceira Pessoa da Trindade de Espírito Santo. Uma das funções principais do Espírito Santo é repartir conosco a santidade de Deus, o que ele faz desenvolvendo em nós um caráter semelhante ao de Cristo (um caráter marcado pelo fruto do Espírito). Assim sendo, o propósito de Deus é que haja um amadurecimento espiritual em nós, até alcançarmos a altura espiritual de Cristo.
Ler Efésios 4.13,15.

FRUTO É O QUE DEUS ESPERA DE NÓS

Observe que a Bíblia fala em fruto do Espírito e não em frutos. Uma macieira pode produzir muitas maçãs, mas todas vêm da mesma árvore. Semelhantemente o Espírito Santo é a origem de todo o fruto em nós. Em termos mais simples, podemos dizer assim: Nós estamos cheios de desejos egocêntricos e egoístas, opostos à vontade de Deus. Por isso, precisamos que o Espírito Santo traga fruto em nossa vida para podermos ter o caráter do Senhor Jesus em nós. E para que isso realmente aconteça, precisamos observar o seguinte:

1. Não deixarmos que a nossa velha criatura ressuscite dentro de nós;

2. Deixarmos o Espírito Santo entrar em nossa vida, nos encher e produzir o seu fruto.

"Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.7-9).

“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2Co 4.16).

COMO CRESCE O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o Espírito Santo faz para que a nossa vida produza o fruto do Espírito? Pois bem, a primeira resposta encontra-se no Salmo 1, onde o ser humano é comparado a uma árvore plantada às margens de um rio. “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará” (Sl 1.1-3).

Ora, nessa passagem dar fruto está relacionado com a importância que a Palavra de Deus tem para nós. À medida que meditamos na Bíblia, o Espírito Santo – que inspirou a Bíblia – passa a dirigir o padrão de vida que Deus tem para nós. A segunda passagem está no evangelho de João, capítulo 15, onde Jesus relata o relacionamento ideal que devemos ter com ele.
Ler João 15.1-5.

Quando ele diz “permanecei em mim”, ele está nos convidando a um relacionamento espiritual íntimo, a exemplo do que está escrito em Apocalipse 3.20. Somente dessa maneira é que o fruto do Espírito começará a crescer dentro de nós!

AMOR: INTRODUÇÃO

Antes de tratarmos propriamente sobre o amor, é importante sabermos que o fruto do Espírito pode ser dividido em três cachos, ou seja, no primeiro cacho estão o amor, a alegria e a paz, os quais expressam o nosso relacionamento com Deus; no segundo cacho encontramos a longanimidade, a benignidade e a bondade, os quais tratam do nosso relacionamento com as outras pessoas; por fim, no terceiro cacho, encontramos a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio, os quais falam do nosso relacionamento com o nosso interior (as atitudes e ações do nosso “eu”).

AMOR

Segundo as palavras do Senhor Jesus, não deveria haver nada mais característico na vida do cristão do que o amor. Ele disse: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35). O apóstolo Paulo, cheio do Espírito Santo, admoestou os cristãos que congregavam na igreja em Roma sobre a importância do amor. Ler Romanos 13.8. Em outras palavras, não importa de que maneira nós damos testemunho de Cristo; sem amor anula-se tudo (1Co 13.1-7).

Amor é maior do que qualquer coisa que possamos dizer com palavras, maior do que qualquer coisa que possuímos ou damos. O amor é uma riqueza tão grande que a Bíblia diz: “sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobrirá a multidão de pecados” (1Pe 4.7,8). Foi esse amor que fez Raabe, ainda que uma prostituta, proteger os mensageiros de Israel em Jericó (Js 6.17-25), que atuou no coração do samaritano para estender a mão ao viajante caído à beira do caminho, segundo nos relata a parábola do samaritano (Lc 10.30-37).

O TIPO DE AMOR VERDADEIRO

A Bíblia usa a palavra grega agape (pronuncia- se ágape) para definir o amor que Deus tem por nós e gostaria que nós tivéssemos pelos outros. O amor ágape aparece em todo o Novo Testamento. Quando Jesus disse “amem seus inimigos”, Mateus registrou a palavra ágape. Quando Jesus disse que devemos nos amar uns aos outros, João usou a palavra ágape.

Quando a Escritura diz que Deus é amor, ela usa a palavra ágape. O amor ágape é a forma mais elevada e nobre de amor, que vê no objeto do amor algo infinitamente precioso. Todos nós precisamos deste fruto, pois sem ele nos tornaríamos insensíveis à própria existência de Deus. Sem o fruto do amor (ágape) em nós, jamais seríamos alcançados pela misericórdia do Senhor. Jamais entenderíamos o significado poderoso, puro e sublime de João 3.16.

ALEGRIA

A alegria que o Espírito Santo põe em nosso coração está acima de qualquer circunstância. Vamos analisar três exemplos:

1. O livro de Neemias relata que o povo de Israel chorou ao ouvir Esdras ler a Lei de Moisés. Naquela ocasião, Neemias exortou o povo a não chorar e nem se entristecer porque a alegria do Senhor era a força deles. Ler Neemias 8.9,10.

2. Pouco antes de ser preso, o nosso Senhor Jesus reuniu-se com seus discípulos para a ceia. Ele falou sobre a importância de estarmos sempre ligados nele, pois ele é a videira, e nós os ramos. Jesus disse: “tenho vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo”. Ler João 15.10,11.

3. O apóstolo Paulo deu graças a Deus pela igreja em Tessalônica, na Ásia. Ele fez isso porque aqueles irmãos eram fiéis, apesar de enfrentarem constantes tribulações. Essas tribulações não impediam que eles recebessem a Palavra do Senhor com alegria do Espírito. Ler 1Tessalonicenses 1.2-7.

Essas passagens mostram a verdadeira alegria. A alegria como fruto do Espírito Santo. A alegria deste mundo é cheia de sombras, desilusões e medo. Muitas das alegrias e prazeres superficiais estão desaparecendo nos dias de hoje, isso porque o sistema mundial não consegue achar a fonte de alegria. O Japão, por exemplo, tem a maior taxa de suicídio do mundo: em 2003, segundo a Agência de Polícia Nacional Japonesa, suicidaram-se 34.427 pessoas. Sabe por que a humanidade respira essa falsa alegria? Por que não consegue ter a verdadeira alegria? Ora, porque Deus dirige a alegria dele por meio do Espírito Santo, e o Senhor Jesus é a fonte que o Espírito Santo usa para manifestar a sua alegria em nós.

Apenas para entendermos melhor esse importante fruto do Espírito, devemos relembrar o testemunho final do Apóstolo Paulo a Timóteo, pouco antes de morrer. Ler 2Timóteo 4.6-8 e 2Timóteo 4.16-18. Da mesma forma que toda água do mundo não pode apagar o fogo do Espírito, todos os problemas e tragédias do mundo não podem vencer a alegria que o Espírito traz ao coração humano.

Alguém disse: “a alegria do Espírito é a bandeira que tremula na torre do palácio quando o Rei está presente”.

PAZ

Paz traz em si a ideia de unidade, descanso, segurança e tranqüilidade, independentemente da situação ao nosso redor. “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is 26.3).

Essa é a descrição de todo crente em Cristo, que, aparentemente, está sozinho no campo de batalha, mas que, na verdade, está protegido com as armas santas de Deus. Quem vive essa paz vinda de Deus não está preocupado com o futuro, porque sabe Quem tem o futuro nas mãos. Ele não treme sobre a rocha, porque sabe Quem fez a rocha. Ele não duvida, porque conhece Aquele que tira todas as dúvidas. O Rei Davi foi uma prova viva da terapia espiritual para a alma que o Espírito Santo aplica, quando diz “deitar-me faz em verdes pastos” (Sl 23.2).

Isso é descansar em paz. E Davi continua: “refrigera a minha alma”. Isso é receber novas forças, cheio de paz. Mas, como isso acontece?

Isso acontece porque somente o Espírito Santo pode nos dar paz no meio de tempestades, agitação e desespero. Por isso, não devemos entristecer o Espírito Santo tolerando as preocupações ou dando muita atenção a nós mesmos. Quando nós nos entregamos às preocupações, estamos tirando do Espírito Santo o direito de nos dirigir em confiança e em paz.

Assim sendo, a paz de Deus é completamente diferente de qualquer outro tipo de paz. O ser humano pode pensar em encontrar paz na meditação, nos tranqüilizantes, nas férias na casa de campo e de outras maneiras. Entretanto, toda pessoa que é nascida de novo em Cristo Jesus sabe que a verdadeira paz não é simplesmente a ausência de conflitos ou qualquer outro estado artificial que o mundo possa oferecer. Quem é nascido de novo sabe que somente a paz de Cristo é profunda e permanente dentro do seu coração.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27). Esta paz somente o Espírito Santo pode nos dar!

Preste atenção nesta verdade: a paz de Deus que pode reinar em nossos corações sempre é precedida pela paz com Deus, que é o ponto de partida.

Em outras palavras: se a paz de Deus existe dentro de nós, é porque a paz com Deus já foi estabelecida em nossa vida espiritual. Como?

1. Jesus Cristo terminou a guerra que existia entre o homem pecador e o justo. Deus estava aborrecido com a humanidade por causa do seu pecado. Jesus com seu sangue proveu a paz. A guerra terminou, a paz veio. Deus estava satisfeito, a dívida cancelada, a contabilidade espiritual em ordem. Com seus débitos pagos, o homem estaria livre, se estivesse disposto a arrepender-se e voltar-se em fé para Cristo, para receber a salvação. Agora Deus pode olhar com prazer para quem é dele. Aleluia!

2. Jesus não só nos libertou da escravidão e da guerra. Há um segundo estágio. Graças a ele, podemos ter, aqui e agora, a paz de Deus em nosso coração. “Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo” (Rm 15.13).

Sim, é verdade, podemos ter essa paz para sempre dentro de nós!

LONGANIMIDADE: INTRODUÇÃO

O primeiro cacho do fruto do Espírito era de relacionamento com Deus. Por isso falamos do amor de Deus, da alegria do Senhor e da paz de Deus. O segundo cacho – longanimidade, benignidade e bondade – mostra o cristão no seu relacionamento com as outras pessoas. Ora, se nós perdermos facilmente as estribeiras, formos indelicados ou grosseiros, então falta-nos o segundo cacho do fruto do Espírito. Mas, quando somos controlados pelo Espírito, ele age em nós até que os botões da longanimidade, benignidade e bondade comecem a florir em nós para dar frutos.

LONGANIMIDADE

A palavra longanimidade (paciência) tem a sua origem no grego e significa “imperturbabilidade diante de provocações”. Assim sendo, se nós somos irritadiços, vingativos ou maldosos com o nosso próximo, o mais certo seria dizer que temos “curtanimidade” e não longanimidade. Nesse caso, não estamos sob o controle do Espírito Santo.

A longanimidade (paciência) está relacionada na Bíblia com provas e tentações. Ser longânime na vida normal não é difícil, mas o que pode acontecer quando vêm as dificuldades? Nessas horas é que mais vamos precisar desse fruto do Espírito. “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” (Tg 1.2,3).

Tudo o que aprendemos até aqui somente confirma o que diz a Palavra de Deus: “alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Rm 12.12).
Em minha opinião, o melhor momento para orar é quando somos ameaçados por uma situação tensa ou atitude não espiritual. Sabemos que não é fácil, pois a velha criatura irá querer manifestar- se nesses momentos, mas creia que Deus – Espírito Santo – estará sempre presente para nos ajudar a vencer as batalhas espirituais, sejam elas grandes ou pequenas.

Por isso, creio que o maior teste que enfrentamos e a maior provação que passamos são quando perguntamos a Deus “o porquê” disto ou daquilo estar acontecendo conosco. Esse momento pode ser descrito como o momento da encruzilhada de nossas vidas, pois podemos cair em tentação e não crermos na fidelidade de Deus. Muitos fizeram isso e sucumbiram. Outros, com lágrimas nos olhos, perguntaram “o porquê”, mas, em vez da revolta contra Deus, oraram, creram e foram abençoados!

A Bíblia diz que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5b). O apóstolo Paulo, cheio do Espírito Santo afirma que tudo o que havia perdido como defensor da lei judaica era, na verdade, um ganho, pois queria participar dos sofrimentos de Cristo para ser digno da ressurreição (Fp 3.1-11). Isso é ser longânime. É desfrutar da longanimidade do Espírito.

Para encerrar, temos de tomar cuidado em relação a um perigo. Às vezes, poderemos usar a longanimidade como desculpa para não tomarmos uma atitude que se esperava de nós. Lembre-se que Jesus, com violência, “expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas” (Mt 21.12). Ele também castigou com furor os escribas e fariseus (Mt 21.13). O cristão, cheio do Espírito, sabe quando arder com “ira santa” e quando deve ser paciente; sabe também quando a longanimidade se tornou em desculpa da inatividade ou uma muleta para esconder um defeito de caráter.

BENIGNIDADE

Benignidade (ternura, delicadeza, clemência) é o segundo gomo do fruto do Espírito que trata do relacionamento com o nosso próximo.

A benignidade é o amor que permanece. “Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu” (Sl 18.35) – a benignidade do Pai. “Além disto, eu, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas ausente, ousado para convosco” (2Co 10.1) – a benignidade do Filho. “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22) – a benignidade do Espírito Santo.

Jesus era uma pessoa gentil e, se compararmos a nossa época com a dele, concluiremos que a de Jesus foi muito mais hostil. Entretanto, ele mudou aquela situação. Jesus praticava a benignidade com o mais impuro pecador.

Ele era paciente e delicado com todos os que falharam na vida. Vamos analisar a seguinte passagem: “E, levantando-se, foi para sua casa. E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens.

E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na recebedoria um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?

Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (Mt 9.7-13).

Ora, nesse exemplo aprendemos que o nosso desprezo pelo pecado pode nos tornar rudes e grosseiros com o pecador. Isso acontece porque algumas pessoas parecem ser tão apaixonadas pela justiça, que não têm mais lugar para a compaixão pelos que caíram.

Note, entretanto, que há uma distinção clara entre o pecador e o escarnecedor. O escarnecedor é o pecador que, conscientemente, blasfema, achincalha e difama o crente e a sua fé no Senhor. Por isso, Jesus somente não foi benigno (gentil, clemente) com os religiosos de sua época, pois eles escarneciam da sua condição de Filho de Deus. O Salmo número 1 nos ensina que não devemos nos assentar à mesa com os escarnecedores. Isso quer dizer exatamente que não devemos ter intimidade com eles. Obviamente, o próprio Espírito Santo encarrega-se de mudar o caráter de um escarnecedor quando há intercessão por ele; é o caso da esposa que intercede pelo marido escarnecedor, pelo filho escarnecedor e por situações semelhantes. Nesses casos, o próprio Espírito Santo age através da nossa perseverança na oração.

Concluindo

Jesus nos ensina a odiar o pecado e amar o pecador. Isto se chama benignidade! Jesus tinha um coração especial, pois chorava pelo pecado dos maus e pelo sacrifício dos bons. Devemos ter o mesmo coração de Cristo, sendo fiéis ao Senhor, amando a nossa congregação e o nosso pastor em Cristo, bem como exalando a benignidade que o Espírito Santo coloca em nós na vida dos que nos rodeiam.

BONDADE

A palavra “bom”, no entender da Escritura, significa literalmente “ser como Deus”, porque ele é o único que é perfeitamente bom. Uma coisa é ter padrões éticos elevados e outra coisa é a bondade que o Espírito Santo produz, que tem as suas raízes em Deus. O significado deste fruto é mais amplo do que fazer o bem. Bondade é mais do que isso. A bondade é o amor em ação. É fazer o bem a partir de um coração bom. É agradar a Deus sem medalhas ou recompensas. Cristo quer que esse tipo de bondade seja o normal em cada cristão. “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder; para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo” (2Ts 1.11,12). “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” (Rm 15.14).

Nós podemos fazer boas obras e dar testemunho aos que vivem ao nosso redor de que temos algo “diferente” em nossa vida, praticando os princípios da bondade. Talvez até sejamos capazes de mostrar a outros como praticar os princípios da bondade. Mas a Bíblia diz: “Porque a vossa benignidade é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa” (Os 6.4). A verdadeira bondade é fruto do Espírito e nunca teremos sucesso tentando consegui-la com força e esforço próprio.

Nunca devemos nos esquecer que Satanás pode se aproveitar de qualquer esforço humano e torcê-lo para que sirva a seus propósitos; mas ele não pode nem tocar o espírito que está coberto do sangue de Cristo e firmado profundamente no Espírito Santo. Somente o Espírito Santo pode produzir a bondade que é a toda prova.

A bondade nunca se manifesta sozinha neste grupo de cachos do Espírito Santo (longanimidade, paciência / benignidade, ternura, delicadeza / bondade), mas é sempre acompanhada pela paciência e delicadeza. Estes três andam juntos e estava perfeitamente visível no Senhor Jesus. Assim sendo, pelo poder do Espírito Santo, esses traços de caráter tornam-se parte da nossa vida, para que possamos nos lembrar de outros traços do caráter de Cristo.

MANSIDÃO

A palavra mansidão (humildade) significa brandura: ser suave no trato com os outros. Essa palavra não está relacionada com desânimo ou timidez, mas em ser controlado pelo Espírito de Deus. Assim é o manso, por isso Jesus disse que os mansos herdariam a terra (Mt 5.5). O apóstolo Pedro era rude e agressivo; depois de ser controlado pelo Espírito Santo, colocou toda a sua energia a serviço do Senhor.

Veja bem, um rio sob controle pode gerar energia elétrica, um fogo sob controle pode servir para cozinhar alimentos. Mansidão é isto: poder, força, temperamento e violência sob controle.

Como podemos aplicar a mansidão a nós?

1) Não devemos reagir defensivamente quando nossos sentidos são perturbados, como Pedro fez quando cortou a orelha do soldado que veio prender Jesus (Mt 26.51,52);

2) Não devemos querer ter a preeminência como Diótrefes (3Jo 1.9). Nosso desejo é que, em tudo, Jesus Cristo tenha a primazia (Cl 1.18);

3) Não devemos procurar reconhecimento e recompensa, pois os frutos da nossa fé, por si só, manifestam-se. Quando Jesus Cristo governa a nossa vida, a mansidão pode tornar-se uma das nossas virtudes. A humildade pode ser o sinal mais visível da grandeza que há em nós. Talvez nunca recebamos os aplausos do mundo, pode ser que nunca governemos ou tenhamos em mãos o bastão do poder. Mas, um dia, os mansos hão de herdar a terra (Mt 5.5), porque ninguém pode nos tirar a parte que nos cabe de direito na herança divina e cheia de alegria que Deus preparou para nós.

DOMÍNIO PRÓPRIO

Qualquer atleta que queira ganhar uma corrida deve treinar até controlar totalmente o seu corpo. É o que o Espírito Santo nos fala por meio do apóstolo Paulo. Ler 1Coríntios 9.25,27.

Há uma lista de virtudes na vida do cristão. Vamos ler 2Pedro 1.5,6. Ora, não restam dúvidas de que, se deixarmos nossas paixões nos governarem, o resultado final será bem menos desejável do que imaginamos no momento do prazer. Lembre-se: “um barco não afunda quando está na água, mas quando a água está nele”.

Nunca foi tão necessário ter domínio próprio em todos os aspectos da vida como nos dias de hoje. O cristão deve ter o senhorio forte e pesado sobre os seus pensamentos e ações.

Em resumo, só o Espírito Santo pode fazer com que o Cristo que habita em nós seja visível por fora também. Nenhum esforço humano pode produzir o tipo de pessoa que Deus quer que sejamos. Mas, quando o Espírito Santo nos enche, ele produz o seu fruto e nos torna cada vez mais semelhantes a Cristo, o protótipo do que nós seremos um dia.

FIDELIDADE: INTRODUÇÃO

A vida cristã autêntica tem a sua própria escala de prioridades: primeiro Deus, depois os outros e, por último, nós mesmos. Por isso, vamos focalizar nossa atenção no homem interior. O Espírito Santo atua em nós para atuar por meio de nós. “Ser” é mais importante do que “fazer”. Por isso, quando somos interiormente o que devemos ser, então produziremos fruto, mais fruto, muito fruto. Ler Filipenses 1.6; 2.13.

O terceiro cacho do fruto espiritual trata do homem interior. Inclui fidelidade, mansidão e domínio próprio.

FIDELIDADE

A fidelidade de que se fala aqui não é referente à fé de cada um de nós, mas à fidelidade que o Espírito Santo produz em uma vida entregue a ele. A Escritura elogia muito esse tipo de caráter (Ler Tito 2.10). A fidelidade nas coisas pequenas é um dos testes de caráter mais seguros, como Jesus diz na parábola dos talentos (Mateus 25.21). A falta de fidelidade é um sinal de imaturidade espiritual. Deus deu-nos responsabilidades; quando somos desobedientes e nos recusamos a assumir essas responsabilidades, então estamos sendo infiéis.

Sem dúvida, muitos crescem mais lentamente do que deveriam crescer, isso porque não querem permitir que o Espírito Santo controle todas as áreas de sua vida. A obediência, permitindo que Deus – Espírito Santo – remova todos os maus hábitos que se desenvolvem, deveria ser imediata. Às vezes ficamos impacientes por demorar tanto para sermos como ele é, mas devemos ser pacientes e fiéis, porque vale a pena esperar até sermos como ele é. A Escritura está repleta de homens como Abraão, que andaram fielmente com Deus.

O capítulo 11 de Hebreus fala de homens e mulheres que Deus considerou fiéis.

As preocupações e ocupações deste mundo muitas vezes interferem na nossa vida fiel na presença de Deus. Por isso devemos prestar muita atenção ao que a Palavra de Deus nos convida a praticar. Ler Tg 1.12,25.

 

 
 
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Pr. Ronaldo Didini
Fundador do Ministério Caminhar

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